Apesar de sua fama como produtora de vodca, a cerveja ocupava um lugar especial na URSS. Desde 1936, a norma GOST 3473-36 estava em vigor, definindo rigorosamente quatro variedades principais:...
Apesar de sua fama como produtora de vodca, a cerveja ocupava um lugar especial na URSS. Desde 1936, a norma GOST 3473-36 estava em vigor, definindo rigorosamente quatro variedades principais: Svetloe, Zhigulevskoe, Moskovskoe e Porter. Isso garantia um sabor e uma qualidade uniformes em todo o país. A principal, é claro, era a Zhigulevskoe. Sua receita, originalmente "Cerveja de Viena", foi renomeada em 1934 na cervejaria de Samara em homenagem ao rio Zhiguli. Essa variedade tornou-se a mais produzida, representando até 80% de toda a cerveja fabricada. Além da Zhigulevskoe, a Moskovskoe, com seu sabor rico, e a Porter, escura e forte, com 6% de álcool, também eram muito apreciadas. A Leningradskoe, no entanto, se destacava por sua densidade excepcional — 18% —, enquanto a Ukrainskoe era produzida com a adição de fubá de milho. Bares de cerveja como o "Zhiguli" em Moscou e o "Saigon" em Leningrado tornaram-se centros da vida cultural. Em 1985, durante a campanha antiálcool de Gorbachev, a produção de cerveja caiu 10%, mas a escassez só aumentou sua popularidade. Cerveja de barril, servida em barris amarelos ou garrafas de vidro de três litros, fazia parte do cotidiano. No final da década de 1980, a URSS produzia 670 milhões de decalitros de cerveja por ano, deixando um legado de nostalgia por aquele sabor característico e inconfundível.
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